Os Cadernos Secretos de Sébastian
Andre Benjamim
Createspace Independent Publishing Platform
2013
nidottu
- Desde os treze anos que ele escrevia esses di rios. Est o dirigidos a ti. Foi para ti que ele os escreveu, quando um dia deixou de se sentir vontade contigo. o que ele diz na primeira p gina. A n s tamb m nunca nos contou nada. Foi um choque para n s. - Inspirou, enquanto olhava, consternado, para mim. Ainda havia mais alguma coisa: - Tenho um pedido a fazer-te - Sim, diga... - Era o seu desejo, queremos realiz -lo. Foi por isso que te telefon mos. Queremos que fi ques com os di rios, que, afi nal de contas, s o teus. Foi para ti que os escreveu... Mas temos um pedido a fazer-te. Queremos que respeites a sua mem ria; que deixes a sua alma partir em paz. Queremos que guardes s para ti tudo o que neles est escrito Olhava para ela. O desejo que me acalentara e mantivera vivo realizara-se. Ela voltou para os meus bra os. Mas n o era a ela que eu desejava. Era a outra ela que existiu, em mim, atrav s dela. Agora sabia que nunca poderia ser minha. Sabia que nem eu pr prio me poderia entregar. N o era eu que ela queria. Era a outro que ela recriara em mim. Existimos nos outros em milh es de vers es diferentes. Quantos Andr s percorrem as ruas em mim e eu n o vejo? Foram outros n s - que n s desconhec amos - que talvez se tenham amado. Continuava a desejar a mulher criada por mim em mim, num momento impreciso e sublime. Ela foi o corpo imposs vel no qual eu esculpi a minha obra. Mas naquele momento conhecia o embuste. Olhava para ela e sentia desejo. E repulsa. Como seria o Andr , meu irm o g meo, que ela enganava? Como era o Andr que se debru ava sobre o seu ser, ouvindo o murm rio vibrante dos seus l bios doces e suculentos? Inveja e raiva. Inveja. Do Andr que ela amava, do Andr amado por ela que eu queria ser, do Andr com o qual eu n o podia competir, sob pena de ambos a perdermos. Raiva. Por a n o poder transformar na imagem que usurpava o meu pensamento. Cada indiv duo uma l ngua nativa, com termos muitos pr prios cujos significados mpares se perdem na tradu o de um sujeito para o outro. Talvez, se me dedicasse com maior afinco, tivesse conseguido apreender a sua l ngua. Ouvia-a com aten o. Memorizava cada som expirado pela sua boca. E tentava decifrar-lhe o significado. Jogava com ela: pedia-lhe para me explicar o que queria dizer com o que dizia. Mas ela fartava-se depressa. Era muito impaciente... Tinha que avan ar devagar. Desbravar terreno. Apalp -lo com calma e dar pequenos passos. Avan ava s escuras. Oh Doce ilus o. Doce engano. Talvez venha a conseguir lan ar pontes entre as duas linguagens. Dizia para mim mesmo.